Novo relatório da IRENA–OIT constata que os empregos globais em energias renováveis chegaram a 16,6 milhões em 2024, mas o crescimento desacelerou. O documento pede uma ação pública mais forte para fortalecer as cadeias de suprimentos domésticas e garantir uma força de trabalho mais inclusiva.
Apesar de as instalações de energia renovável terem atingido um novo recorde, os empregos no setor cresceram apenas 2,3% em relação a 2023, alcançando 16,6 milhões em 2024. O recém-lançado relatório intitulado em inglês Renewable Energy and Jobs – Annual Review 2025, da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), destaca ainda o impacto crescente das tensões geopolíticas e geoeconômicas, bem como da automação em expansão, sobre a força de trabalho do setor de energias renováveis.
Em termos de emprego por tecnologia, a energia solar fotovoltaica (FV) mantém a liderança, graças à contínua e rápida expansão das instalações e das fábricas de painéis. O setor gerou 7,3 milhões de empregos em 2024. Os países asiáticos concentraram 75% dos empregos fotovoltaicos do mundo, com a China liderando com 4,2 milhões de empregos.
Os biocombustíveis líquidos vêm a seguir à energia solar fotovoltaica, criando 2,6 milhões de empregos em 2024, representando 46,5% do total de empregos gerados na Ásia. A energia hidrelétrica ficou em terceiro lugar, com 2,3 milhões de empregos, e a energia eólica em seguida, com 1,9 milhão de empregos. Além dos números, esta edição do relatório anual destaca a necessidade de maior inclusão e equidade na força de trabalho do setor de energias renováveis.
Uma transição justa exige que nenhum grupo populacional — como mulheres e pessoas com deficiência — seja deixado de lado. O futuro da energia renovável deve ser moldado por talentos e perspectivas diversas. Até hoje, o potencial de ambos os grupos permanece subutilizado, o que exige uma ação deliberada, multifacetada e sistêmica.
A nova análise mostra que as mulheres ocupam 32% dos empregos em tempo integral. Esse percentual é superior ao do setor de petróleo e gás (23%) ou de energia nuclear (25%), demonstrando que as energias renováveis são comparativamente mais inclusivas.
Os empregos ocupados por mulheres estão significativamente concentrados em funções administrativas, que representam 45% do emprego feminino em energias renováveis, e em cargos técnicos não relacionados à ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) – como funções jurídicas, onde as mulheres representam 36% da força de trabalho. Em contrapartida, as mulheres compõem apenas 28% das funções relacionadas a STEM (como engenheiras, cientistas de dados e especialistas técnicas) e apenas 22% dos empregos de qualificação média, como instalação de energia solar ou construção. Nos níveis mais altos de tomada de decisão, as mulheres são ainda mais raras: 26% dos gerentes de nível médio são mulheres, mas elas representam apenas 19% dos gerentes seniores ou membros do conselho.
Confira a matéria completa e acesse o relatório: https://www.ilo.org/publications/renewable-energy-and-jobs-annual-review-2025

